CEstA Dupla com Rosalvo Ivarra Ortiz e Amanda Villa

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CEstA Dupla com Rosalvo Ivarra Ortiz e Amanda Villa

Etnoarqueologia do território e povos indígenas em situação histórica de isolamento na Amazônia brasileira
Esta pesquisa analisa as contribuições teóricas e metodológicas da etnoarqueologia do território para compreender as formas de ocupação, circulação e relação com o espaço entre povos indígenas em situação histórica de isolamento na Amazônia brasileira. Considerando as restrições éticas e políticas decorrentes das diretrizes de não contato, o estudo mobiliza fontes indiretas de análise, como registros de expedições, vestígios materiais, dados geográficos e documentação institucional vinculada à política indigenista. A investigação contempla ainda evidências materiais e ambientais associadas às práticas territoriais desses grupos, como estruturas habitacionais temporárias (tapiris), vestígios de manejo florestal, artefatos líticos e cerâmicos e marcas antrópicas na paisagem, frequentemente relacionadas a rios, florestas e trilhas que estruturam suas rotas de mobilidade. No diálogo entre arqueologia, antropologia e estudos sobre territorialidade indígena, o trabalho problematiza interpretações que associam o isolamento à ausência de historicidade ou de mobilidade territorial, evidenciando a continuidade das relações desses povos com seus territórios. Destaca-se também a centralidade dos saberes tradicionais indígenas na interpretação desses processos, ainda pouco evidenciados nos registros históricos e institucionais. Assim, a etnoarqueologia do território configura-se como um campo analítico relevante para a análise dessas relações espaciais e para os processos de reconhecimento e proteção territorial na Amazônia.

Rosalvo Ivarra Ortiz
Especialista em Indigenismo da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (FUNAI), atualmente lotado na Coordenação-Geral de Povos Indígenas Isolados e de Recente Contato (CGIIRC), vinculada à Diretoria de Proteção Territorial (DPT). Doutorando em Arqueologia pelo Museu de Arqueologia e Etnologia da Universidade de São Paulo (MAE-USP), onde desenvolve pesquisa sobre materialidades de povos indígenas isolados e de recente contato na interface entre arqueologia indígena e museologia, com foco na Amazônia Legal. Também é doutorando em Antropologia Social pela Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), com estudo voltado às políticas de não contato com povos indígenas isolados do Vale do Javari, no Amazonas. Possui mestrado em Arqueologia pelo MAE-USP, com pesquisa realizada junto aos povos Guarani e Kaiowá no sul de Mato Grosso do Sul. É pesquisador do Laboratório de Estudos Interdisciplinares sobre Tecnologia e Território (LINTT–MAE/USP), do Laboratório Interfaces entre Museologias, Comunicação, Mediação, Públicos e Recepção (INTERMUSEOLOGIAS–MAE/USP) e pesquisador convidado do Laboratório e Grupo de Estudos em Relações Interétnicas (LAGERI/DAN–UnB).

Distância, comunicação e autodeterminação entre povos indígenas em Isolamento na Amazônia brasileira
Esta apresentação examina o contexto dos povos indígenas em situação de isolamento no estado de Rondônia, noroeste da Amazônia brasileira, por meio de uma abordagem antropológica que se desenvolve entre os limites e as possibilidades da etnografia sem contato direto. A análise baseia-se em registros de arquivo, documentos institucionais e nos conhecimentos de comunidades indígenas vizinhas, além do trabalho dos órgãos de proteção indígena no Brasil. Com foco nas Terras Indígenas Uru Eu Wau Wau, Massaco e Tanaru, a discussão situa o isolamento em histórias mais amplas de violência, espoliação territorial e processos de genocídio. Dá-se especial atenção aos regimes de comunicação indireta – vestígios materiais, objetos, sinais na paisagem e mediações interespecíficas – compreendidos como práticas semióticas e relacionais. O isolamento, portanto, é compreendido não como ausência ou retirada, mas abordado como um modo de relacionalidade historicamente constituído, por meio do qual autonomia, diferença e autodeterminação são continuamente negociadas.

Amanda Villa
Doutoranda em Antropologia Social pelo Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (PPGAS–FFLCH–USP). É graduada em Ciências Sociais pela Universidade Estadual de Campinas e mestre em Antropologia Social pelo Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social da Universidade Federal de São Carlos. Atualmente, é pesquisadora do Centro de Estudos Ameríndios (CEstA–USP) e membro do Observatório dos Direitos Humanos dos Povos Indígenas Isolados e de Recente Contato (Opi). Sua experiência de pesquisa na área de etnologia indígena concentra-se na região do Médio Guaporé (RO), onde desenvolve, há mais de dez anos, investigações sobre o fenômeno social do isolamento entre populações indígenas da região.

Atividade presencial
Entrada gratuita, sujeita à limitação do espaço
Não há inscrições

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