Eventos

Sumak e sinzhi warmiguna: reflexões sobre política e gênero entre os/as runa de Sarayaku

Com a presença de Mirian Cisneros, lideresa do povo originário kichwa de Sarayaku, Amazônia equatoriana, este encontro pretende refletir sobre imbricações entre política e liderança, território e gênero entre os/as runa de Sarayaku. Uma das possíveis traduções para “a política” em Runa Shimi seria a expressão “Hatun Yuyayguna Kwintanakuy”, conhecimento e/ou importante conversa, diálogo ou, ainda, conversatório. Dedicaremos especial atenção às criatividades das mulheres e das mulheres lideresas – estas últimas, “puxadoras de conversatórios” – incluindo a chagra (roçado), a chicha e a luta pelo reconhecimento de seu território como Selva Vivente. Como se constituem enquanto mulheres belas e fortes (sinzhi e sumak warmiguna)? E lideresas? O que é um território e qual sua relação com as mulheres? Que [cosmo]política fazem as mulheres – ou, como territorializam o mundo e a política? De que forma produzem espaços particulares de co-existência aos modos outros, incluindo não-indígenas, de fazer mundos?

A conversa será precedida pela exibição de documentários realizados por cineastas runa sobre a vida em Sarayaku e a luta travada contra o extrativismo, especialmente petroleiro, em seu território.

Biografia de Mirian Cisneros
 

Mulher líder, filha do povo originário Kichwa de Sarayaku eleita presidenta do Conselho de Governo Tayjasaruta de maio de 2016 a 2019. Sua capacidade de liderar se forma desde a infância e no interior de sua família, fortalecendo-se também nos processos de luta que o povo vem desenvolvendo há mais de 30 anos em defesa dos direitos e do território. Sua experiência e participação em significativos eventos em defesa da vida e da floresta nos níveis local, nacional e internacional marcou-a como uma referência importante entre as mulheres da Amazônia equatoriana, todas elas fundamentais para os processos de luta deste povo. Em sua visão, ação e linguagem está a luta, a sabedoria, a coragem e o pensamento dessas mulheres guerreiras que, juntamente com seus filhos, homens e sábios estiveram a frente dos processos e lutas que Sarayaku vem desenvolvendo. 

Auditório do LISA - Rua do Anfiteatro, Colmeia, favo 10

O NUMAS/USP convida para o seminário "Miss Diversidade Indígena: notas etnográficas sobre gênero, 'empoderamento' e sexualidades LGBTQ+ entre indígenas no Mato Grosso do Sul.

Com Diógenes Cariaga (Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul),

mediação de Diego Madi Dias (NUMAS-USP).

Uma reflexão sobre gênero e sexualidades indígenas a partir dos concursos de miss e mister beleza na Reserva Indígena de Dourados (MS).

 

 

sala 24 - Prédio Ciências Sociais - FFLCH

Sexta do Mês: Fronteiras

com Marco Tobón Ocampo (Unicamp) e Roberta Marcondes Costa (NEIP/USP)
Mediação: Arthur Fontgalant (PPGAS/USP)
Sexta-feira, 20 de setembro de 2019, às 14h

A quem pertence a terra? Quem tem o direito de reivindicar partes dela e os vários seres que nela habitam? Quem determina sua distribuição ou divisão?”, pergunta o filósofo Achille Mbembe diante um mundo que limita movimentos e reforça fronteiras. As fronteiras cada vez mais se tornam espaços de reforço e reprodução de vulnerabilidades, de encarceramento de ideias e movimentos. Mas o que são fronteiras?

Entre sentidos geopolíticos e simbólicos, fronteiras são comumente lidas como limites, divisas, espaços de contiguidade. Além da demarcação de espacialidades, a noção de fronteira também produz e acentua vulnerabilidades, cerceia movimentos,  codifica corpos e relações, busca controlar devires e intensidades. O fato, é que a noção de fronteira move há muito o pensamento antropológico, sob diversas formas e em diferentes campos.

Enquanto as etnografias produzidas nas chamadas “regiões de fronteira” territoriais perseguem esta noção, demonstrando tanto sua permeabilidade pelos trânsitos de pessoas e coletivos quanto o contingenciamento das relações entre terras e suas gentes, a própria Antropologia se faz produzindo suas próprias fronteiras, mobilizando objetos e questões que estabilizam e/ou desconstroem delimitações teóricas, conceituais, metodológicas e disciplinares. Se o conhecimento antropológico é inerentemente relacional (Wagner, 1975), as relações dos pesquisadores com outros mundos faz nossa disciplina repensar e (re)inventar suas fronteiras de forma contínua.

Dos estudos de gênero à Antropologia do corpo e da saúde; das práticas científicas às cosmopolíticas nativas, entre outros campos, a Antropologia se depara com “regiões de fronteira”, marcadas por codificações, movimentos, estabilizações e desestabilizações. Se parecem distantes as antropologias que se ocuparam de identificar fronteiras entre grupos étnicos, a noção de fronteira certamente não parece ser um “objeto em vias de extinção” (Sahlins, 1997).

Na Sexta do Mês de setembro queremos pensar a partir das fronteiras e convidamos todas, todxs e todos a conhecer alguns pontos de vista antropológicos em torno desta noção, tomando-a tanto como um dado de determinados contextos de pesquisa etnográfica, quanto como um objeto de reflexão conceitual de nossa disciplina.

A Sexta do Mês é um evento organizado pelos estudantes de Pós-Graduação em Antropologia Social da USP, com apoio do Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social da FFLCH/USP.
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Comissão da Sexta do Mês 
Evento Mensal dos Alunos do Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social da USP
sextadomes@gmail.com

sala 24 do Prédio das Ciências Sociais e Filosofia da FFLCH-USP

De 9 a 24 de setembro, o CINUSP Paulo Emílio convida o público a conhecer o cinema do povo indígena Guarani e algumas produções audiovisuais feitas em parceria com suas comunidades. Organizada em 6 sessões especiais, com 15 filmes, a mostra faz parte da programação do II Seminário Internacional Etnologia Guarani: redes de conhecimento e colaborações, que acontece na USP entre 24 e 27 de setembro de 2019. 

Confira aqui a programação completa!

Os Guarani são um grande povo: com mais de 280 mil pessoas, sua presença se estende desde o litoral do Atlântico até a região pré andina, em mais de 1400 comunidades. No Brasil, são 85 mil pessoas, de diferentes coletivos. As caminhadas guarani por este vasto território se refletem na crescente diversidade de suas experiências de produção audiovisual, marcadas tanto pela constituição de coletivos de cinema comunitários e regionais, quanto por parcerias com realizadores e outros parceiros não indígenas. 
 

Em 2013, durante o Simpósio CEstA nas Redes Guarani, essa produção ganhou destaque em uma das mesas do evento, com a participação de cineastas indígenas e pesquisadores não indígenas. Já em 2016, no I Seminário Internacional Etnologia Guarani, realizado pela Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD), a programação do evento foi atravessada por exibições de vídeos de realizadores guarani em Mato Grosso do Sul. Agora, por ocasião da segunda edição deste seminário, queremos revelar a riqueza e diversidade do cinema guarani em uma mostra especial.

A mostra é realizada em uma parceria entre o CINUSP, o Centro de Estudos Ameríndios (CEstA), o Laboratório de Imagem e Som em Antropologia (LISA), ambos da USP, e o Centro de Trabalho Indigenista (CTI). Com curadoria feita por Lucas Keese, Maria Carolina Botinhon, Spensy Pimentel, Tatiane Klein e Vinícius Toro, deixamos aqui um agradecimento a todos os realizadores e coletivos que cederam seus filmes para serem exibidos nesta mostra.

Rua do Anfiteatro, 181, Favo 4 Cidade Universitária, São Paulo/SP, Brasil - CEP 05508-060

O GRAVI convida para a exibição e debate do filme FILHOS DE MACUNAÍMA (90 min., 2019) de Miguel Antunes Ramos. Estarão presentes conosco o diretor Miguel Ramos e o roteirista Guilherme Giufrida.

Sinopse: Três famílias indígenas vivem na cidade de Boa Vista, no norte do Brasil. Enquanto Maria se despede da mãe, que não fala português e adoece na aldeia, seu filho Daniel, evangélico, procura na dança uma forma de viver. Teuza procura na Guiana uma vida mais intensa e vive se deslocando, entre festas, problemas familiares e buscas por trabalho. Arlen, indígena policial e morador de um conjunto habitacional na periferia, tenta voltar para a aldeia onde sua família mora, enquanto lida com a violência e outros problemas na cidade. Histórias de deslocamento e identidade de personagens em busca de si mesmos.

Auditório do LISA – Rua do Anfiteatro, 181 – Cj Colméia favo 10 Cidade Universitária – Butantã – SP

Lançamento do livro O Uso de Plantas Psicoativas nas Américas: Plantas, Conhecimentos Indígenas e Ação Política e mesa redonda com:
- Dra. Sandra Lucia Goulart (Faculdade Cásper Líbero)
- Dra. Joana Cabral de Oliveira (Unicamp/IFCH/Programa de Antropologia)
- Aline Ferreira Oliveira (Doutorando PPGAS/USP)  
- Guilherme Meneses (Doutorando PPGAS/USP)

Referência Completa/Livro:
- O Uso de Plantas Psicoativas nas Américas. LABATE, Beatriz Caiuby; GOULART, Sandra Lucia (Orgs.). Rio de Janeiro: Gramma, 2019. 372 p. ISBN 978-85-5968-602-9. e-ISBN 978-85-5968-601-2.  

Resumo do Livro:
Esta coletânea apresenta dezessete capítulos que abordam os usos de diferentes plantas em contextos indígenas e não indígenas. Os capítulos do livro apresentam dados etnográficos bastante atuais sobre formas de elaboração e consumo de uma extensa gama de substâncias existentes entre diferentes grupos e regiões das Américas, abrangendo sete países: Brasil, Peru, Colômbia, Venezuela, México, EUA e Canadá.
Trata-se de substâncias como: o tabaco fumado; a ayahuasca; a Cannabis sativa; o vinho da jurema; os cogumelos e o peiote do México; as folhas de coca; a poderosa e perigosa Brugmansia (toé); as inebriantes e tóxicas mandiocas-bravas; e, ainda, as “medicinas da floresta”, como o rapé, o kambô e a sananga, que vicejam nos circuitos urbanos contemporâneos.
Há um destaque, na obra, para os cenários que expressam intermediações e tensões entre usos indígenas e não indígenas destas plantas e substâncias. Os vários capítulos abordam eventos que são simultaneamente locais e transnacionais. As discussões desta coletânea nos permitem repensar categorias clássicas, como: tradicional e moderno, ou sagrado e profano. Os capítulos trazem contribuições para temas como: xamanismo; pensamento e filosofia indígenas; gênero; e agência de seres e espécies diversas.  
Não se trata de um livro sobre plantas, e sim sobre as histórias dos entrelaçamentos de plantas e humanos. 
O que estas plantas podem nos contar sobre as inter-relações entre humanos e não humanos? Como a história destes outros seres se entrelaça com a nossa história? 
O Uso de Plantas Psicoativas nas Américas é um convite para um colóquio entre plantas e gentes!  

Avenida Professor Luciano Gualberto, 315 - Prédio das Ciências Sociais - Sala 24

O doutorando do PPGAS-USP André Lopes exibirá 4 curtas-metragens que realizou recentemente com colaboradores indígenas. Três desses trabalhos são resultados de oficinas de vídeo que o pesquisador ministrou com os povos Manoki e Myky, populações com as quais faz trabalho de campo para a sua pesquisa de doutorado, e um quarto curta-metragem foi realizado em seu estágio de pesquisa em Nova Iorque, sobre a participação da cineasta guarani, Patrícia Ferreira, no Margaret Mead Film Festival. O objetivo é compartilhar um pouco desses últimos resultados de pesquisa finalizados no Lisa, pensar em diferentes modelos de colaboração e possíveis desdobramentos.

Filmes:
New York, just another city - 19 min (2019) - direção de André Lopes e Joana Brandão
Os espíritos só entendem o nosso idioma - 5 min (2019) - direção de Cileuza Jemjusi, Robert Tamuxi e Valdeilson Jolasi 
Trançando nossos caminhos - 6 min (2019) - direção de Cledson Kanunxi, Marta Tipuici e Jackson Xinuxi 
Ãjãlí: o jogo de cabeça dos Myky e dos Manoki - 48 min (2018) - direção de André Lopes e Typju Myky

Auditório do LISA - Rua do Anfiteatro, 181 - favo 10
Entre os dias 26 a 29 de agosto de 2019 acontecerá o VI ENADIR (Encontro Nacional de Antropologia do Direito), que tem como metas a geração de novos conhecimentos, a promoção e a elevação da qualidade da produção científica, o incentivo e o apoio ao encontro de pesquisadores(as) das ciências sociais, do direito e de áreas afins, advindos(as) das mais diferentes instituições de nível superior do país. A finalidade maior do VI ENADIR é produzir resultados qualitativamente significativos no interior da antropologia do direito, daí a previsão de um minicurso, conferências e mesas não simultâneos para que todos(as) possam acompanhá-los e neles se encontrar. Serão concomitantes apenas as sessões de GTs nas duas últimas manhãs. Pretende-se repetir a transmissão online do minicurso e das mesas, pois isso ampliou bastante o alcance dos encontros anteriores. Para mais informações, visite o sítio eletrônico oficial do evento, neste link.
Avenida Professor Luciano Gualberto, 315 - Cidade Universitária, São Paulo-SP
A Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras Humanas e a Universidade Autônomo da Barcelona convidam para o curso:ANTROPOLOGIA E INTERVENÇÃO SOCIAL NO CAMPO DA EDUCAÇÃO O curso, ministrado pela Professora Pepi Soto Marata, se propõe a oferecer um espaço para a reflexão e a troca de experiências sobre as confluências entre a Antropologia Social e a Educação, em distintos contextos socioculturais e de aprendizagem, com especial atenção a processos de aplicação do saber antropológico e da intervenção socioeducativa. A atividade faz parte do convênio internacional entre a FFLCH/USP e a UAB.   1ª sessão: 12/08/19 – ANTROPOLOGIA E EDUCAÇÃO Uma proposta de reflexão teórica e etnográfica para uma antropologia sociocultural da educação, inclusive em contextos escolares. Discussão sobre as possibilidades, os limites e os desafios da articulação entre antropologia e educação. 2ª sessão: 13/08/19 – ANTROPOLOGIA E INTERVENÇÃO SOCIOEDUCATIVA Metodologias de trabalho na formação de professores e outros profissionais, em contextos de diversidade cultural, imigração e desigualdade social. Conteúdos e processos orientados para a transformação social. 3ª sessão: 14/08/19 – ANTROPOLOGIA NO ENSINO MÉDIO Aplicações dos saberes antropológicos para a criação de recursos educativos e a elaboração de propostas de cursos e seminários específicos sobre a convivência e a diversidade cultural, os fenômenos de refúgio e asilo e a introdução de conteúdos curriculares na perspectiva antropológica. 4ª sessão: 15/08/19 – ANTROPOLOGIA EM TEMPOS INCERTOS Reflexões sobre a formação de profissionais reflexivos, a incorporação da antropologia no mercado de trabalho e algumas intersecções técnica e éticas com outras disciplinas e profissionais.   As aulas serão ministradas em espanhol. Total de 16 horas, com entrega de certificado. Vagas limitadas. Inscrições pelo e-mail antropoeducausp@gmail.com.
Avenida Professor Luciano Gualberto, 315, Cidade Universitária, São Paulo-SP - Sala a ser divulgada posteriormente