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Inicia-se no dia 15/10 (quinta), às 16h30, o Ciclo de Debates e Palestras “Universidade em transformação: desafios e potencialidades - Educação, Pesquisa e Direitos Humanos no século XXI em perspectiva interdisciplinar”. Haverá um debate com coordenadores dos Núcleos de Apoio à Pesquisa da USP que promovem a iniciativa, estudantes, pesquisadores e integrantes de movimentos sociais. Em seguida, às 18h, Ailton Krenak ministra a conferência “Constelação de Saberes”.

O link do debate do dia 15/10, a partir de 16h30, é: www.universidadeemtransformacao.com/debate

O Ciclo discute temas como democratização do acesso e permanência na universidade, luta antirracista, direitos indígenas, tecnologia e ensino online, exclusão digital, academia e movimentos sociais, decolonização do pensamento, feminismos, interdisciplinaridade e saberes de negras e negros, indígenas, quilombolas, ribeirinhas, imigrantes, refugiadas, africanas, árabes, pessoas com deficiência, pessoas trans, não-bináries e LGBTQIA+, perspectiva de gênero, culturas urbanas, rurais e periféricas, para que sejam escutadas e para que suas narrativas, saberes, temáticas, vivências e experiências de opressões e violências diversas (epistêmica, física, psicológica), bem como de resistência, autonomia e empoderamento, sejam incorporadas pela universidade e valorizadas em espaços acadêmicos e extra-acadêmicos.

Durante cerca de 2 meses (de 15/10 a 18/12), mais de 100 palestrantes vão interagir, em videoconferências transmitidas no Youtube, com um amplo grupo de pessoas em redes sociais (Youtube, Instagram, Facebook e Twitter) e no site do Ciclo (www.universidadeemtransformacao.com).

Organizado por 4 Núcleos de Apoio à Pesquisa da USP: NAP Brasil África, NAP Diversitas - Núcleo de Estudos das Diversidades, Intolerâncias e Conflitos, Centro de Estudos Ameríndios (CEstA) e Núcleo de Apoio à Pesquisa Produção e Linguagem do Ambiente Construído (NAPPLAC), com apoio da Pró-Reitoria de Pesquisa da USP, o Ciclo foi elaborado, da concepção do formato à diversidade dos convidados participantes, com o objetivo de ampliar as trocas, os diálogos e o compartilhamento horizontal de conhecimentos dos integrantes dos NAPs e entre estes, diferentes universidades, nacionais e estrangeiras, e diversos setores da sociedade civil.

Entre as questões que o Ciclo “Universidade em transformação: desafios e potencialidades - Educação, Pesquisa e Direitos Humanos no século XXI em perspectiva interdisciplinar” vai discutir estão: Como valorizar as temáticas elencadas acima? Como ampliar a democratização do acesso e da permanência na universidade e fortalecer sua transformação? Como promover a decolonização do pensamento e o diálogo com outros saberes não necessariamente acadêmicos? Como garantir a decolonização das práticas acadêmicas (em formatos presenciais e também no contexto de virtualização/hibridização do ensino)? Como assegurar a interdisciplinaridade e fundamentação teórica/bibliografia diversificada? 

Confirma a programação dos próximos eventos em http://universidadeemtransformacao.com/programacao/

Venha participar conosco deste debate!

Sitewww.universidadeemtransformacao.com
Instagram: @Universidadeemtransformacao
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A Mesa Redonda Arquivos de Cultura e Línguas Indígenas abordará discussões sobre a conformação de "arquivos indígenas", suas histórias de construção e como foram organizados. Além disso, buscará elaborar uma reflexão de cunho teórico e conceitual a respeito do que é um "arquivo indígena" e de quais seriam suas potencialidades. A discussão também se mostrará útil como ferramenta para coletivos que estejam organizando ou pensando em organizar seus arquivos.

Com a participação de:

Laísa Tossin - Pesquisadora residente BBM,

Marcos Maciel Lima Cunha - Etnia Macuxi - TI Raposa Serra do Sol - Mestre em Antropologia Social UFRR - Centro de Documentação Indígena do Instituto Missionários da Consolata

Luísa Valentini - Doutora em Antropologia Social - USP

Lorena Rodriguez - Professora em Ciências Antropológicas da Universidad de Buenos Aires - Pesquisadora Consejo Nacional de Investigaciones Científicas y Técnicas - CONICET

Anari Bomfim - Etnia Pataxó - Doutoranda em Antropologia Social - Museu Nacional - Atxohã - Grupo de Pesquisadores Pataxó

Awoy Pataxó - Etnia Pataxó - Graduado em Licenciatura Intercultural - Professor de Patxohã - Coordenador do Atxohã - Grupo de Pesquisadores Pataxó

O evento será on-line e ocorrerá no dia 1º de outubro 2020, às 15h. As inscrições devem ser feitas através do e-mail: eventosbbm@usp.br

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Este painel, motivado pela proposição da ADPF 709 pela Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) no Supremo Tribunal Federal, é dedicado a uma análise compartilhada do conceito de genocídio, tal como ele tem sido articulado nas lutas dos povos indígenas, nas ciências humanas e sociais, na prática jurídica. No centro do debate estão um exame dos elementos que permitem caracterizar como genocida a postura do governo brasileiro com os povos indígenas no contexto da pandemia de covid-19 e uma avaliação de possíveis estratégias conjuntas de enfrentamento, atrelando pesquisa, informação e defesa dos direitos humanos. Para tanto, o Painel reúne pesquisadores e ativistas indígenas e parceiros, estimulando o debate interdisciplinar e o diálogo intercultural, compreendendo-se a cooperação de saberes como fundamental à consecução de ações efetivas de enfrentamento à pandemia entre povos indígenas, diante da ausência do estado. O evento é uma realização conjunta da Andhep, por meio do Fórum sobre Violações de Direitos dos Povos Indígenas (FVDPI), e do Centro de Estudos Ameríndios da USP, no âmbito da campanha "Povos indígenas frente à covid-19".

https://laboratoriosocial.com.br/lab/index.php/agende-se/142-cursos/painel/324-painel-adhep-genocidio-indigena

Palestrantes:
Jozileia Jagsó (Arpinsul; Frente Indígena e Indigenista de Combate à Covid-19 em Terras Indígenas da Região Sul)
Luiz Henrique Eloy (Apib; EHESS/França)
Eloísa Machado de Almeida (FGV Direito/SP; CADHu)
Rubens Valente (Colunista do UOL)
Rafael Pacheco (PPGAS e CEstA/USP; FVDPI)

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transmissões ao vivo no canal do GEAC no Youtube.

Ciclo de seminários do Grupo de Estudos de Antropologia da Cidade
Segundas, quartas e sextas às 19h de 26/08 a 04/09
transmissões ao vivo no canal do GEAC no Youtube: www.linktr.ee/geac

Dentre as indagações que emergem na atual pandemia, sublinha-se o que passa a ser possível pesquisar, do ponto de vista etnográfico, frente às restrições de várias ordens às interações sociais face a face, dados os cuidados necessários para se evitar a transmissão do Covid-19. O presente ciclo de seminários busca dialogar com essa realidade, com ênfase nas mudanças em curso na vida urbana, através da abordagem sobre pesquisas em andamento de integrantes do GEAC (em locução com outrxs pesquisadorxs), cujos impactos decorrentes da pandemia têm levado tanto a mudanças contextuais, quanto à necessidade de novas estratégias investigativas.

Seminário coordenado por Heitor Frúgoli Jr. (docente da FFLCH-USP), que orienta (ou orientou) os trabalhos dxs apresentadorxs do segundo, terceiro e quarto seminários, e supervisionou o trabalho do quinto apresentador (orientado por Eduardo Nivón Bolán); o primeiro apresentador tem a orientação de Luiz Eduardo P. B. T. Dantas.

Programação completa em PDF

Sessão 1: Ciclistas entregadores de plataformas digitais
Com Eduardo Rumenig (doutorando da Escola de Educação Física e Esporte, USP)
26/8, quarta, 19h
A bicicleta e as tecnologias da informação e comunicação (TICs) figuram como elementos constitutivos do mundo do trabalho e da paisagem urbana contemporânea. A partir de três eixos – corpo dos ciclistas, sociabilidades ancoradas no capitalismo de plataforma e cidade – refletir-se-á sobre as dis/utopias inscritas no uso da bicicleta subsumida ao capitalismo de plataforma na cidade de São Paulo.

Sessão 2: Torcidas de futebol: redes e sociabilidades no contexto brasileiro da pandemia
Com Mariana Mandelli (mestre em Antropologia Social, PPGAS-USP)
Convidado: Luiz Henrique Toledo, docente da UFSCar
28/8, sexta, 19h
Em um momento de privação do estádio, os torcedores ganharam protagonismo pela participação em protestos antifascistas e por ações de solidariedade com as suas respectivas comunidades. A ideia é discutir como o clubismo se torna agente dessas e de outras redes de relações para além do jogo em si.

Sessão 3: A exceção e o invisível insistente: a presença transgressora da população de rua na região central de São Paulo em tempos de coronavírus
Com Leandro Carneiro de Souza (mestrando em Antropologia Social, PPGAS-USP)
Convidado: Tomás Melo, docente da PUC-PR e integrante do INRUA (Instituto Nacional de Direitos Humanos da População de Rua)
31/8, segunda, 19h
A partir da noção de invisível geralmente atribuída à população em situação de rua, busca-se compreender as políticas de Estado no contexto da pandemia, as narrativas produzidas por meios de comunicação, os modos como esta população reconfigura o espaço e as relações sociais e desafia a ordem e o olhar de citadinos.

Sessão 4: Lazer, periferia e pandemia: reordenamentos em espaços e práticas de lazer
Com Wesllen Cosme de Souza (mestrando em Antropologia Social, PPGAS-USP)
Convidado: Enrico Spaggiari, doutor em Antropologia Social (PPGAS-USP)
2/9, quarta, 19h
Com a pandemia, têm sido impactadas as formas de lazer em espaços públicos, o que ganha contornos específicos em áreas periféricas, cujas práticas são distintas daquelas que se observam em bairros de classes médias. Pretende-se abordar as novas estratégias e possibilidades de encontro e de desfrute do lazer num bairro da periferia de uma cidade da região metropolitana de São Paulo.

Sessão 5: Lo que el encierro deja escapar: reflexión sobre mi confinamiento en São Paulo, Ciudad de México y Tijuana
Com Orlando Elorza Guzmán (doutorando da Universidad Autónoma Metropolitana - Iztapalapa (UAM-I))
4/9, sexta, 19h
Esta reflexión consiste en mis vivencias durante el confinamiento en mi última etapa de trabajo de campo en São Paulo; el regreso a mi país y a la Ciudad de México después de sietes meses de ausencia; así como llegar por primera vez a vivir a Tijuana, ciudad fronteriza. Esta crisis global me ha dado una visión personal desde tres vertientes, en la que me cuestiono las similitudes y las diferencias de las intimidades contextuales de estas tres grandes ciudades.

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Transmissão ao vivo pelo Canal da Sexta do Mês no Youtube -

com Maria Antonia Fulgêncio (UNAS) e Watatakalu Yawalapiti (ATIX)
mediação de Anai Vera (PPGAS/USP)

No canal da sexta do mês no youtube - https://bit.ly/sextadomes

Sete meses de covid-19 e o Brasil alcança o segundo lugar com maior número de infectados e mortos no ranking mundial. Em um momento em que a curva de contágio ainda se encontra na ascendente e a pandemia avança sobre regiões do país com baixa capacidade hospitalar, diversos estados e municípios começam a adotar medidas visando a  flexibilização da quarentena. A pandemia reforçou as desigualdades sociais, escancarou os privilégios e mostrou que continuam sendo as pessoas pretas e indígenas as mais vulneráveis. Como sugerir rigor na higiene em casa quando metade da população brasileira não tem acesso à água encanada e esgoto? Como sugerir ficar em casa quando muitos não têm direito à moradia? Como não sair, se a mão de obra dos chamados serviços essenciais é majoritariamente negra — e em alguns contextos, indígena? Como a abertura precipitada vai impactar as diferentes parcelas da população?
Encerrando os debates da “Sexta do Mês: Em tempos de pandemia”, buscamos representantes dos grupos mais afetados pelas políticas de morte do atual governo: mulheres de comunidades indígenas e comunidades negras urbanas e rurais. Como mostrou a etnografia feita por Denise Pimenta (2019) sobre a epidemia do ebola em Serra Leoa, foram as mulheres as principais vítimas da doença, não por acaso: eram elas que, por meio de suas relações de afeto e parentesco, ficaram em risco ao liderar o combate ao ebola em suas comunidades. Esse “cuidado perigoso”, noção que a pesquisadora descreveu em sua pesquisa, se conecta às vivências e formas de cuidado construídas por inúmeras mulheres lideranças frente à chegada da covid-19 em seus territórios no Brasil. As mães yanomami imploram pelos corpos de seus filhos; as alto-xinguanas não poderão chorar seus parentes no ritual Qwarup; na comunidade quilombola de Kalunga, em Goiás, jovens mulheres foram contaminadas por patroas que viajaram para fora do país e depois foram enviadas de volta para a comunidade.
Construindo estratégias próprias para o combate à doença em seus territórios, as mulheres-lideranças convidadas a partilhar suas experiências na Sexta do Mês de Julho darão testemunho dos impactos da doença e das omissões do estado brasileiro em suas comunidades; das iniciativas autônomas construídas para fazer frente a esse cenário e dos desafios que ainda podem se impor adiante. Afinal, será que é o vírus que mata ou a desigualdade? De que forma a pesquisa antropológica pode ajudar a refletir sobre essas construções locais, para além de ressoar demandas?

Comissão da Sexta do Mês
Evento Mensal dos Alunos do Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social da USP
sextadomes@gmail.com

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Curso à distância. Após a inscrição, as instruções serão enviadas por e-mail aos alunos matriculados.

Ministrantes: Ariane Couto Costa e Pâmilla Villas Boas Ribeiro
Coordenação: Profa. Dra. Rose Satiko Gitirana Hikiji
Período de inscrição: 14 a 16/07
Mais informações em http://sce.fflch.usp.br/node/3725

O curso tem como objetivo  geral discutir a utilização do audiovisual como ferramenta em trabalhos de campo. A partir das experiências de produção audiovisual das ministrantes em trabalhos etnográficos no norte de Minas Gerais e no Piauí junto a grupos de cultura afro- brasileira de batuques, terreiros e capoeira de quilombo irá suscitar questões sobre as múltiplas representações que o exercício de filmagem pode provocar. Realizando o registro de diferentes práticas, vimos no suporte do filme, uma opção de narrativa polissêmica que possibilitaria diminuir a assimetria entre as demandas e interesses de pesquisadores e as demandas e interesses dos grupos locais. Construir uma abordagem fílmica baseada na polifonia e no diálogo explícito com os interlocutores possibilita formas alternativas de representação do "outro" a partir do encontro de pontos de vistas. É importante ressaltar que o audiovisual não resolve o problema da representação nas ciências sociais, mas pode fornecer exercícios de criação de zonas de contato, lugares em que as vozes de pesquisadores e colaboradores possam ecoar. Meios para que essas vozes e presenças possam ocupar lugares onde essas pessoas, por motivos políticos e sociais, até então jamais puderam estar.

Ministrantes:
Ariane Couto é mestranda em Ciências Sociais (Antropologia Social) na área de antropologia das populações afro-brasileiras, pesquisando patrimônio cultural e quilombos na FFCLH-USP.
Especialista (MBA) em Gestão Cultural pela Fundação Getúlio Vargas (FGV SP), com ênfase na área de Gestão do Patrimônio Cultural. Bacharel em letras (linguística e literatura) nas habilitações alemão e português (2009) pela Universidade de São Paulo (USP), licenciada em letras português também pela Universidade de São Paulo (2010).

Pâmilla Vilas Boas é doutoranda em Antropologia Social pela USP e Mestre em Antropologia pela UFMG (2017) com pesquisa em antropologia da performance, sobre os batuques do Rio São Francisco. É integrante do Núcleo de Antropologia, Performance e Drama da USP, diretora do documentário sobre música e memória nos batuques do Rio São Francisco e idealizadora do encontro regional de batuques da região do alto médio São Francisco em parceria com a comunidade quilombola de Bom Jardim da Prata.

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Curso à distância. Após a inscrição, as instruções serão enviadas por e-mail aos alunos

Ministrante: Gibran Teixeira Braga
Coordenação: Profa. Dra. Rose Satiko Gitirana Hikiji
Período de inscrição: 14 a 16/07
Mais informações em http://sce.fflch.usp.br/node/3794

O curso tem por objetivo pensar a música, em seu contexto mais amplo, como um elemento fundamental em dinâmicas sociais diversas. A partir de bibliografia teórica e etnográfica, discutiremos a relação entre a música e os marcadores sociais da diferença, sob uma perspectiva interseccional, e sua relação com a produção de localidades.

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Curso à distância. Após a inscrição, as instruções serão enviadas por e-mail aos alunos matriculados.

Ministrante: Carolina Parreiras
Coordenação: Profa. Dra. Heloisa Buarque de Almeida
Período de inscrição: 14 a 16/07
Mais informações em http://sce.fflch.usp.br/node/3798

Este curso tem como objetivo introduzir aos participantes os principais debates em torno disso que poderíamos chamar de políticas da vida e da morte. Em um momento de pandemia, de conservadorismos e em que muito se discute a gestão governamental de corpos (e consequentemente das possibilidades de vida ou de morte), faz-se necessário fornecer bases sólidas para o debate e para a possível ação política. O curso se inicia com as formulações seminais de Michel Foucault sobre o conceito de biolítica/biopoder e também sobre o que ele denomina de governamentalidade. Também abordará, em um dos encontros, a teorização de Georges Bataille sobre o tema, na medida em que ele é central para os autores já citados. Além disso, serão apresentados autores que tomam como base que refletem sobre as políticas de vida e morte, tais como, Michael Taussig, Judith Butler e Veena Das. O curso finaliza com a reflexão sobre uma das faces contemporâneas da biopolítica - a necropolítica -, tal como teorizada por Achille Mbembé.

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Canal da Sexta do Mês no Youtube

com Letícia Cesarino (UFSC), Carolina Parreiras (USP) e Fábio Malini (UFES)
mediação: Isabel Wittmann (PPGAS-USP)

No canal da sexta do mês no youtube - https://bit.ly/sextadomes

Desde o início do século XXI, a emergência de novas tecnologias de comunicação e informação segue transformando as formas de socialidade e alimentando debates dentro e fora da academia. No campo das mídias, o advento do digital produziu tanto mudanças na tessitura ou materialidade das imagens do cinema, fotografia e televisão -para ficar com apenas três exemplos-, quanto na constituição de novas relações de poder e dominação. Portanto, uma série de mudanças substanciais nos modos de agência e de relação de seus usuários com o mundo e com os demais. Nesse contexto de transformações, com o estabelecimento dos grandes conglomerados de produção de conteúdo digital e de gestão das plataformas de comunicação através da internet, a Sexta do Mês propõe o debate “Redes sociais, fake news e formas de socialidade”, buscando questionar: Como a internet e as diferentes plataformas de comunicação digital produzem formas de socialidade e de pertencimento político e social? Quais são os efeitos dessas transformações sobre seus usuários e suas subjetividades? Qual é o impacto dessas redes digitais nas instituições que a modernidade consagrou como lugares de produção de verdade/objetividade? As consolidadas formas de acesso dessas mídias por usuários e espectadores, como a utilização massiva dos smartphones nas mais diversas esferas da vida (social, política, afetiva, sexual) promovem que tipo de inflexões nas formas como estes produtos são criados por estas grandes empresas de tecnologia? E, principalmente, como a Antropologia e as Ciências Sociais vêm se dedicando a pensar estas novas configurações do social produzidas através destas mídias? Esta edição da Sexta do Mês persegue questões como as acima esboçadas, promovendo um debate sobre como as transformações postas por estas tecnologias se refletem não só nas formas-conteúdo destas plataformas de comunicação e entretenimento, mas também nas subjetividades e na noções de pessoa de seus usuários.

Início:
Canal da Sexta do Mês no Youtube

com Flavia Medeiros (UFSC) e Aline Feitoza de Oliveira (Caaf-Unifesp)
mediação: Aline Murillo (PPGAS-USP)
Quinta-feira, 28 de maio de 2020, 17h
No canal da sexta do mês no youtube - bit.ly/2XuCu25


A morte segue a perseguir as humanidades, como um futuro certo - esperado, temido, ou adiado -, inquietando também as ciências sociais e a antropologia. Para além do seu aspecto reflexivo, que nos oferece questionamentos quanto ao sentido da existência, pela morte delineiam-se problemas éticos, políticos, religiosos e socioeconômicos, associados à saúde, à segurança pública, à política sanitária, à geopolítica e à biossegurança.

Como qualquer arte, o encaminhamento da morte, dos mortos e seus remanescentes, seja no Instituto Médico-Legal do Rio de Janeiro, seja entre os indígenas Yanomami, ou ainda no Grupo de Trabalho sobre a Vala Clandestina do Cemitério de Perus, é sempre respaldado por certos princípios éticos, procedimentos especializados, ritos específicos e atende a determinados valores e objetivos coletivos - garantir a passagem entre a vida e a morte, reafirmar coletividades sociais e assegurar a continuidade da presença e, às vezes, esclarecer a história.

O novo coronavírus aparece agora como um inimigo total: ameaça a integridade de cada corpo humano, impacta economias nacionais inteiras, altera a consciência de si de cada pessoa, põe em risco a continuidade da  vida e das sociedades tais são conhecidas. Para o historiador camaronês Achille Mbembe, o vírus e a pandemia de Covid-19 nos possibilitam de modo renovado perceber nossa putrescibilidade e viver "na vizinhança da própria morte", de modo que o nosso exato isolamento social seja uma política de contenção: é, no limite, a nossa própria noção de humanidade que está em jogo, outra vez.

Mundo afora, já há tempos, as convivências com valas clandestinas com desaparecidos políticos, conflitos e guerras civis, sepultamentos sem consentimento, extermínios massivos – e, na atual pandemia de covid-19, determinações sanitárias que impedem o luto e escolhas políticas sobre quem deve viver e quem deve morrer –, recobrem a morte de terror, e explicitam as questões éticas do morrer e as políticas dos vivos e os modos de produção da(s) morte(s).

Nesta segunda edição da Sexta do Mês "Em tempos de pandemia", perguntamos: O que as experiências com os mortos de Covid-19 podem revelar das políticas dos vivos, em suas compreensões do corpo, da morte, da vida, do luto e da memória? O que há de novo e o que se repete na Covid-19, na relação entre vivos e seus mortos? E, de modo geral, quem são os mortos? O que há para dizer sobre nossos corpos? Como os representantes políticos dos mortos atuam para defender sua dignidade?

A Sexta do Mês é um evento organizado pelos estudantes de Pós-Graduação em Antropologia Social da USP, com apoio do Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social da FFLCH/USP.